Sou pedaços de meus pais e de meu irmão tartaruga. Sou a caixinha de lápis de cor do meu caderninho de colorir. Sou meus cachorros, meus cachorros que morreram e todos os que vejo. Sou estrela do dia, manhãs em noites. Sou atemporal. Sou fé. Sou todos as perguntas e nenhuma resposta. Sou comédia, drama e romance. Sou um pouco de terror e muita ficção. Sou dores de amor, preocupação, desilusão, mutação. Sou música e livros. Sou saudade, sou pura saudade, mas quero sempre o novo. Sou confusa. Sou terapias naturais, medicina chinesa, psicologia. Sou curiosa, sou incógnita. Sou bagunça, muita bagunça. Sou furacão. Sou desajeitada, tola, amada. Sou Internet, msn, telefone. Sou mais caneta no papel do que dedos no teclado. Sou filmes, cada um deles. Sou ligações de madrugada, havaianas com meia, restos de perfume. Sou incoerência. Sou uma eterna apaixonada, sou movida à paixão. Sou bobo da corte. Sou chorona. Sou carinho com um pouco de carência. Sou desajeitada com um pouco de estilo. Sou palavras nunca ditas, bem guardadas. Sou arrependimento. Sou alegria e esperança. Sou mistura de sonhos. Sou uma menina que ainda não quer ser mulher.Sou fragilidade disfarçada. Sou idas e vindas. Sou suco de laranja e risadas na sacada. Sou falta de explicação. Sou vontade de emagrecer, preguiça de caminhar. Sou ativa. Sou entusiasmo. Sou gritaria. Sou coala, bode e ovelha. Sou amizade. Sou amor. Sou cervejitas, amigos e conversas desvairadas pela noite. Sou madrugada. Sou a tentativa de esquecer e a vontade de tocar. Sou “então”, “massa”, “sei lá”, “báh”, “amo essa música” e “foda”.Sou incensos e agulhas. Sou florais e aromas. Sou unhas ruídas e cabelo despenteado. Sou cozinheira de plantão. Sou faladeira e besteira. Sou curiosa e devastadora. Sou lenta e desajeitada. Sou surpresa, novidades, liberdade, extremismo e excessos. Sou sorrisos, observação, detalhes. Sou fugaz, incerteza, tristeza e muitas vezes solidão. Sou aquela música que vem de repente à cabeça e não se consegue tirar dos pensamentos. Sou músicas que ativam a memória, que fazem viajar para o passado. Sou cólicas horríveis e sonhos malucos. Sou malandragem. Sou cantora e escritora. Sou compositora de tudo que vejo. Sou dormir e não acordar, acordar e não dormir. Sou comer e dormir, acordar e comer. Sou brincar na chuva, correr na praia. Sou divagações, pura filosofia. Sou desespero e tranqüilidade. Sou medo, sou muito medo. Sou desconfiada e sou ingênua. Sou pacifica, mas posso galopar e atingir o mal com uma flecha. Sou sagitário. Sou invenções de amor. Sou a sensação antes de sentir. Sou um doce, mas as vezes machuco com minhas verdades pouco ditas. Sou olhar cansado e sorriso nos lábios. Sou tremedeira quando nervosa. Sou vergonha, timidez. Sou escandalosa. Sou quietinha se ainda não conheço. Sou lealdade. Sou a tentativa de não magoar. Sou estabanada, nervosa, ansiosa. Sou Dorothy, Totó, estrada de tijolos amarelos. Sou fogo e sou ar. Sou música enquanto escrevo. Sou o amor a primeira vista e o amor que se percebe depois de anos. Sou dúvidas e exclamações. Sou terras desconhecidas, cachoeiras e água fria. Sou calor, verão e fogueiras. Sou luau e violão. Sou cantorias e invenções desgrenhadas. Sou a certeza de estar certa e a dúvida contida. Sou discussões intermináveis e gostosas. Sou carinhosa e dedicada com quem merece. Sou medo de perder coisas que ainda nem tenho. Sou tudo para a última hora. Sou pontualidade. Sou segredos e entrelinhas. Sou risadas na frente do espelho. Sou dirigir de madrugada, música alta. Sou choro no travesseiro. Sou abraços intermináveis. Sou amor de outras vidas. Sou olho no olho, toques e percepção. Sou antipassividade. Sou rainha do meu destino. Sou “não existe acaso, tudo tem uma razão de ser”. Sou romântica. Sou beijos ardentes, tudo girando. Sou sensação de reencontro. Sou beijos no pescoço e luar. Sou mexida no cabelo e pontos de shiatsu. Sou Clarice Lispector. Sou impulsividade. Sou um tesouro que é só meu. Sou menos da metade do que posso querer ser. Sou aprendizado. Sou Cláudia Juliana.
Aprenda-me.
12 de fev. de 2011
cláudia juliana
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